Quase
“Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos.” Jeremias 8:20.
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que incomoda, que entristece, que mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
O que nos leva a escolher uma vida morna? A resposta está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença daquele “bom dia”, quase sussurrando. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados, e o arco-íris tons de cinza.
Não é que a fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória, é desperdiçar a oportunidade de merecer.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um de nós traz para dentro de si.
Para os erros há perdão, para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite no que Deus pode fazer por você, com você e em você.
Gaste mais horas realizando do que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Alguns há, que parecem sempre buscar a pérola celestial. Não renunciam completamente, porém, a seus maus hábitos. Não morrem para o próprio eu para que Cristo viva neles. Por esse motivo, não acham a pérola valiosa. Não venceram sua ambição profana e seu amor às atrações do mundo. Não tomam a cruz e não seguem a Cristo no caminho da abnegação e sacrifício. Quase cristãos, mas não plenamente, parecem estar perto do reino do Céu, mas não podem ali entrar. Quase, mas não completamente salvos, significa estar não quase, porém completamente perdidos... Se Jesus viesse hoje você estaria salvo ou “quase” salvo?
Meditações Pôr-do-Sol 2009, pág 41.
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